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    Terça-feira, Outubro 10, 2006

    Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick


    O Tao
    “Para representar o princípio eterno e incognoscível de todas as coisas, Lao
    Tsé escolheu uma palavra cuja etimologia possibilita uma designação pouco
    convencional: Tao.
    Esse termo foi utilizado convencionalmente pelos escritores, desde a
    antiguidade, para designar uma doutrina moral e social. Lao Tse, no entanto,
    dá-lhe uma nova acepção, utilizando-o para representar o Princípio
    Primordial, a causa das causas, o Absoluto Inacessível, o Ser/Não-ser
    superior a todas as criaturas, a Origem de tudo, que sempre foi, é e será,
    sem o qual nada existiria e que é Todo em tudo.”
    “Ao invés dos métodos de busca do Verdadeiro por intermédio dos sentidos e
    das faculdades mentais, o Tao Te King trata-se de uma introdução à Via da
    Simplicidade Original, à qual se tem acesso criando em si mesmo, pela
    abnegação e pelo desapego, um vazio que preenche a Virtude do Tao.”
    “Qualquer via que possa ser fixada e conduza gradualmente a um fim; qualquer
    doutrina ou sistema destinado a explicar as relações entre o espírito e a
    matéria, a determinar as categorias do entendimento; qualquer coisa que
    possa ser demonstrada a alguém, a fim de torna-lo apto a conhecer o
    Universo, a Verdade, a Realidade; nada disso é o que foi, é e eternamente
    será. Uma via que pode ser traçada não é a Via Eterna, o Tao.”
    “Os nomes atribuídos a seres e coisas, a fim de distingui-los,
    identificá-los ou evocá-los, aplicam-se às aparências apreendidas pelos
    sentidos e compreendidas pela inteligência, nada nos revelando da essência
    e, por conseguinte, da verdadeira natureza desses seres e coisas. Esses
    nomes pertencem ao modo de conhecimento relativo ao domínio do tempo e do
    espaço, onde reinam a dualidade, a oposição, a divisão. Um nome que pode ser
    pronunciado não é o Nome eterno.”
    “Nenhum dos modos de pensar e falar que conhecemos é aplicável ao Absoluto,
    e qualquer frase que tente qualificá-lo, fazê-lo conhecido, nega a si mesma,
    pois, no mistério de sua não-manifestação, o Tao é eterno, não tem nome.
    Assim, só nos resta balbuciar o que ele não é, fazendo preceder de uma
    negação todas as qualidades, virtudes e possibilidades sensíveis ou
    inteligíveis com que desejemos designá-lo.”
    “Não podendo ser nomeado, porque não manifesto no domínio do tempo e do
    espaço, o Tao não é para nós, senão uma necessidade lógica: percebendo tudo
    que há entre o céu e a terra e concebendo que nada possa nascer sem que uma
    causa seja seu princípio, quer dizer, que o preceda e produza, nossa
    impossibilidade de designar essa causa leva-nos a imaginar um Ser
    desconhecido, misteriosos, na origem do Universo. Sem nome, está na origem
    do Céu e da Terra.”

    A Virtude do Tao
    “As práticas sinceras que têm por fim a perfeição moral só podem ser úteis
    se servirem de introdução à vida espiritual e não se limitarem a reproduzir,
    em nosso comportamento, as formas exteriores daquilo que chamamos virtudes.
    Tal conduta, puramente formal, permanecerá obra da vontade própria enquanto
    não for vivificada e fecundada pelo Espírito Divino. Por isso é necessário
    mostrar-se simples e natural, reduzir o egoísmo e ter poucos desejos.”
    “É em vão que, a fim de atenuar a perda da Virtude, as disciplinas morais e
    religiosas esforçam-se em obter do homem, pela obediência a prescrições ou
    pela observação de ritos cada vez mais complicados, aquilo que ele cumpriria
    naturalmente em sua simplicidade primordial.”
    “Sendo a vontade humana movida pelo egoísmo e pelo orgulho, suas obras
    aparentemente mais desinteressadas estão contaminadas pelo amor-próprio e
    viciadas por uma secreta pretensão a um direito autoral. O desapego com
    relação ao fruto da ação e a espontaneidade da Suprema vontade são opostos
    aos cálculos de suas imitações, num paralelo que se poderia parafrasear da
    seguinte maneira: aquele que possui a Virtude nada premedita em interesse
    próprio; dia após dia, segue com confiança o itinerário traçado pela vontade
    do Tao; esquecendo o passado e não perscrutando o porvir, vive no presente
    em contato com o Eterno. Não age por si mesmo e muito menos para si mesmo.
    Como poderia comprazer-se com a posse da Virtude, sabendo que é somente o
    canal e o dócil instrumento desta? Como poderia atribuir-se qualquer mérito
    por ações para as quais sua vontade pessoal tem tão pouca importância?”
    “No entanto, o mesmo não acontece com que pratica as virtudes seguindo uma
    via previamente traçada para si: ele mede o caminho percorrido, calcula a
    distância que o separa do fim e deplora a má conduta e a inércia dos que o
    cercam. Assim, os resultados de suas obras não o deixam indiferente: se
    estes são decepcionantes no presente, ele busca uma recompensa no futuro; se
    as aprovações reconfortam-no, as críticas causam-lhe amargura, das quais se
    consola julgando injustas as opiniões dos homens.”

    Do livro: O Livro do Tao e sua virtude,
    versão integral e comentários de
    Marc Haven e Daniel Mazir.
    Attar editorial, 1988




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    posted by Motoko Aramaki @ 7:02 PM  
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